Por Samuel Rodrigues
Hollywood é acostumada a trabalhar com arquétipos. Não é de hoje que o cinema e a contação de histórias baseiam-se em perfis de personagens e histórias conhecidas do público, que vem sendo contadas há anos, apenas mudando um detalhezinho aqui ou ali. Sai ficção científica, entra magia. Saem bruxos, entram vampiros. E por aí vaí... Essas coincidências são facilmente percebidas nas brincadeiras com as semelhanças entre os roteiros de Harry Potter e Star Wars, ou o mais recente sucesso Avatar e sua contraparte Pocahontas.
Hollywood é acostumada a trabalhar com arquétipos. Não é de hoje que o cinema e a contação de histórias baseiam-se em perfis de personagens e histórias conhecidas do público, que vem sendo contadas há anos, apenas mudando um detalhezinho aqui ou ali. Sai ficção científica, entra magia. Saem bruxos, entram vampiros. E por aí vaí... Essas coincidências são facilmente percebidas nas brincadeiras com as semelhanças entre os roteiros de Harry Potter e Star Wars, ou o mais recente sucesso Avatar e sua contraparte Pocahontas.
Fato é que desde que Joseph Campbell definiu a jornada do herói no seu livro "O Herói de Mil Faces" (link aqui) é fácil identificar o caminho e as provações que o herói terá de enfrentar do início ao fim de uma história: início humilde, parceiros improváveis e fiéis, um conselheiro mais velho e experiente que já enfrentou perigos parecidos... São clichês que se repetem há anos e que também estão presentes em "A Lenda dos Guardiões" ("Legend of the Guardians: The Owls of Ga'Hoole", 2010).
Trailer do Filme
O filme conta a história da corujinha Soren, que depois de ouvir a vida inteira histórias das grandes batalhas dos Guardiões de Ga'Hoole, envolve-se em uma trama de proporções quase hitlerianas, quando os inimigos dos Guardiões, os Puros, começam a recrutar jovens corujas para seu exército. Algumas são "lunatizadas" - lavagem cerebral realizada com as corujas dormindo olhando para a lua - enquanto outras viram soldados de elite, como acontece com o irmão arrogante de Soren, Kludd. Depois de fugir da clausura dos Puros, cabe a Soren encontrar os Guardiões para alertá-los sobre o perigo que vem pela frente.
E é aí que empilham-se os clichês.
Soren forma sua equipe desleixada e parte em direção ao desconhecido. No meio do caminho, arranja um experiente conselheiro, que conta segredos de como dominar totalmente suas habilidades. E enfrenta seu irmão, que passou para o lado do mal, numa trama de proporções bíblicas, quase um Caim e Abel. E você fica com aquela sensação de "eu acho que já vi isso antes".
Isso é ruim? Não. Como foi dito lá no início do post, as histórias costumam assemelhar-se, até para um melhor entendimento da trama. O que acontece é que você não consome nada de novo, apenas... reciclagem. O grande mérito do filme nesse ponto é a ótica 3D: nunca corujas no cinema foram tão realistas. Cada pena, cada expressão, cada virada de cabeça que elas dão fazem acreditar que são verdadeiros animais amestrados na tela, seguindo um roteiro, como verdadeiros atores. Se peca em outros pontos, na animação 3D "A Lenda dos Guardiões" é impecável.
No resultado final, o filme é uma fábula adulta para adultos. Ao contrário dos filmes infantis recentes, não tem muitas cenas de humor, não acaba com música e personagens dançando (a única banda com uma música no filme foi, naturalmente, 'Owl City') e não poupa palavras ao falar de morte. O diretor do filme, Zack Snyder (diretor de filmes como Watchmen, 300 e o vindouro novo filme do Superman) disse que pela primeira vez seus filhos poderão ver um filme que fez. Não é pra tanto ainda, Zack...
Owl City - To The Sky (trilha sonora do filme)
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"A Lenda dos Guardiões" está sendo exibido no GNC Caxias 5, com sessões as 13h50min e 15h50min, dublado e 3D. Assista logo!

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