por Robin Siteneski
Os comentários, no mínimo, infelizes, de Luiz Carlos Prestes na RBS TV Santa Carina no dia 17 de novembro escancaram algo que esteve escondido sob finos panos durante a campanha presidencial deste ano. O preconceito de classe não só persiste no país, como a intervenção do comentarista da afiliada da Rede Globo torna inadiável a discussão da ignorância daqueles que insistem em julgar brasileiros, em especial, nordestinos, título pronunciado com desdêm, como menos capazes por causa de sua condição social.
Assista à íntegra do comentário:
Felizmente, o caso não passou sem receber atenção. Além da indignação que se espalhou na internet a partir de blogs progressistas, o Senado também entrou na discussão. Ideli Salvati (PT-SC) discursou sobre o assunto e Magno Malta (PR-ES) sugeriu que os concessionários da RBS fossem chamados às falas na comissão de Ciência e Tecnologia da casa.
Se a indicação de Malta se confirmar, significará um grande avanço na discussão sobre como as concessões públicas de rádio e televisão são utilizadas. Será que chegou a hora de tirarmos as vendas e debater amplamente o preconceito de classe no Brasil?
Assista à reação dos senadores ao comentário de Luiz Carlos Prestes:
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Crônica: Pela Cadeira de Noção
(originalmente publicada no Cometa Diário)
Por Samuel Rodrigues
Me lembro uma vez de uma comunidade do Orkut chamada "pela cadeira de noção". Como era bem explicado no perfil da comunidade, ela apoiava a instauração de uma cadeira de "noção" na faculdade, para tentar dar um pouco de bom senso a certas pessoas que entram no ensino superior com a mentalidade do ensino médio e acabam complicando a vida dos colegas em trabalhos em grupo, convivência pessoal e relacionamentos.
Depois de quase cinco anos no curso de Jornalismo, sou categórico em afirmar: sou a favor da cadeira de noção. Mas não no curso de Jornalismo. O motivo é simples: ela simplesmente destruiria o próposito do curso com todas suas forças e faltariam comunicadores no nosso dia a dia, dos fazedores de grandes reportagens aos operadores de TP.
Por que isso? Convenhamos: quem, com um mínimo de noção, trabalharia no jornalismo? Encarar madrugadas a fio escrevendo, investigando, checando fontes, tudo na base da cafeína? Encarar a cobertura de um comício político tendo que escolher entre ficar no frio da bancada da imprensa, que corre o risco de cair com tantas câmeras em cima, ou ficar no calor do povo, escapando das bandeiradas?
(Aliás, se for para dar sugestão, que instaurem cadeiras no jornalismo que sejam integradas com Educação Física. Seriam muito mais úteis pras nossas formas rotundas de falta de exercício e cervejadas no happy hour)
Espremer-se entre outros jornalistas para conseguir a melhor foto. Esquecer da possibilidade da multa em troca da possibilidade do furo. Encarar nosso salário. Enfrentar nossa jornada de trabalho. Esquecer do nosso diploma... chega uma altura do campeonato em que você pensa: por que mesmo eu não fiz Engenharia?
A resposta é simples: porque você gosta de jornalismo.
Essa é uma conclusão que a gente só sente na pele. Só sente quando aquele crachá escrito "Imprensa" pesa no pescoço. Quando o Chatô pesa no ombro. Quando nosso vídeo é exibido na tela. Quando o nosso nome tá escrito no jornal. Por isso, reafirmo: instaurem a cadeira de noção. Mas não no jornalismo.
Nós não temos nenhuma noção.
E gostamos disso.
sábado, 20 de novembro de 2010
Leandro Fortes palestra na UCS nesta segunda (22)
por Robin Siteneski
O jornalista e professor da Escola Livre de Jornalismo (ESPM) Leandro Fortes estará na Universidade de Caxias do Sul (UCS) nesta segunda-feira (22). O repórter da revista Carta Capital falará sobre o tema de um de seus livros, Jornalismo Investigativo, a convite do Diretório Acadêmico (DA) de Jornalismo às 20h no auditório do Bloco H.
Lenadro Fortes já trabalhou no Jornal do Brasil, Zero Hora, O Globo, Correio Braziliense, Estado de S.Paulo, Época e TV Globo. Também foi chefe da Agência Brasil, da Radiobrás, e comentarista da Voz do Brasil, da Rádio Nacional de Brasília. Além de Jornalismo Investigativo, reprodução acima, o professor é autor de Cayman: o dossiê do medo, Fragmentos da Grande Guerra e Os segredos das redações.
Jornalista especializado em política, Leandro mantêm o blog Brasília, eu vi. A palestra é aberta à comunidade.
O jornalista e professor da Escola Livre de Jornalismo (ESPM) Leandro Fortes estará na Universidade de Caxias do Sul (UCS) nesta segunda-feira (22). O repórter da revista Carta Capital falará sobre o tema de um de seus livros, Jornalismo Investigativo, a convite do Diretório Acadêmico (DA) de Jornalismo às 20h no auditório do Bloco H.
Lenadro Fortes já trabalhou no Jornal do Brasil, Zero Hora, O Globo, Correio Braziliense, Estado de S.Paulo, Época e TV Globo. Também foi chefe da Agência Brasil, da Radiobrás, e comentarista da Voz do Brasil, da Rádio Nacional de Brasília. Além de Jornalismo Investigativo, reprodução acima, o professor é autor de Cayman: o dossiê do medo, Fragmentos da Grande Guerra e Os segredos das redações.
Jornalista especializado em política, Leandro mantêm o blog Brasília, eu vi. A palestra é aberta à comunidade.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Coral municipal troca o rock pelo samba
por Robin Siteneski
Depois de 60 apresentações do espetáculo Celebration, o Coral Municipal vai cantar um ritmo que exige um molejo diferente. No próximo sábado, o grupo estreia Br da Paixão, espetáculo com músicas de Noel Rosa e Lupicínio Rodrigues. O Coral se apresenta no Teatro Municipal às 20h30min no dia 20 e, no mesmo horário, no domingo (21) e na segunda-feira (22).
Segundo a regente do coral, Cibele Tedesco, o grupo enfrentou um pouco de medo ao escolher o substituto do sucesso Celebration, mas está confiante que a boemia de Noel Rosa e de Lupicínio Rodrigues serão suficientes.
Os ingressos para as três apresentações são gratuítos e distribuídos na Casa da Cultura.
Depois de 60 apresentações do espetáculo Celebration, o Coral Municipal vai cantar um ritmo que exige um molejo diferente. No próximo sábado, o grupo estreia Br da Paixão, espetáculo com músicas de Noel Rosa e Lupicínio Rodrigues. O Coral se apresenta no Teatro Municipal às 20h30min no dia 20 e, no mesmo horário, no domingo (21) e na segunda-feira (22).
Segundo a regente do coral, Cibele Tedesco, o grupo enfrentou um pouco de medo ao escolher o substituto do sucesso Celebration, mas está confiante que a boemia de Noel Rosa e de Lupicínio Rodrigues serão suficientes.
Os ingressos para as três apresentações são gratuítos e distribuídos na Casa da Cultura.
domingo, 14 de novembro de 2010
Mas Bah Tchê!
Fotos, vídeos e relato apaixonado por Samuel Rodrigues
"Eu até me sentia cansada. Mas quando eu olhava pro palco e via aquele tiozinho de 68 anos pulando e cantando, eu sabia que não podia ficar parada."
Essa frase, pronunciada por muitas pessoas na saída do show de Paul McCartney no último domingo, dia 07, resumia bem o espírito da noite. Esbanjando carisma, profissionalismo e, acima de tudo o conhecido humor britânico, o ex-beatle encantou 52 mil pessoas em 3 horas de show, recheadas de clássicos dos Beatles, da sua banda Wings e de sua carreira solo.
Mas isso, claro, você confere em qualquer DVD da carreira solo de Paul, como no ótimo "Good Evening New York City", que cobre três noites da sua turnê de 2009 no então recém-inaugurado estádio Citi Field, em Nova Iorque. O que difere cada show de Paul é o preparo especial que ele tem ao conhecer cada cidade em que vai tocar. No seu DVD "Live In Quebec", de 2008, Paul deixa bem claro no início da apresentação que vai tentar falar em francês, mas que talvez se enrole (momentos em que é apoiado pelo telão, que legenda em tempo real o que fala). Em Porto Alegre, a intimidade com a língua local foi testada mais uma vez.
"- Eu vou tentar falar em português. Mas vou falar mais em inglês. Ok, now you know..."
E se, entre as canções, Paul testava seu português macarrônico em frases como "trilegal" e "ah, eu sou gaúcho", as músicas não deixavam a desejar. Depois do início com "Venus And Mars / Rock Show / Jet", as três dos Wings, Paul saudou a platéia e engatou "All My Loving", primeira canção dos Beatles da noite. O Beira-Rio veio abaixo. As cenas do filme "A Hard Day's Night" ("Os Reis do Iê-Iê-Iê" no Brasil) exibidas no telão da estrutura gigantesca levaram às lágrimas gerações de fãs dos Beatles (inclusive este que vos fala). Foi o momento em que todos perceberam a importância daquele verdadeiro maestro em cima do palco. E era só a 4ª música.
E pra quem na 4ª música já estava em prantos, o repertório de quase 3h ainda reservava outros 32 números, as últimas sete dos Beatles. Aquelas músicas de 40 anos atrás fazendo sentido como nunca fizeram denotam a verdadeira importância do quarteto de Liverpool na cultura pop: universalidade. Não há quem não os conheça, não há quem não tenha visto influência deles em outras bandas, não há quem negue sua importância. E um dos principais responsáveis por essa importância (e pela manutenção do seu legado) estava lá, todo "serelepe" em cima do palco, falando em um perfeito gauchês "MAS BAH TCHÊ!". 52 mil pessoas estão com um sorriso bobo no rosto desde então.
Obrigado Sir Paul.
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