domingo, 14 de novembro de 2010

Mas Bah Tchê!

Fotos, vídeos e relato apaixonado por Samuel Rodrigues



"Eu até me sentia cansada. Mas quando eu olhava pro palco e via aquele tiozinho de 68 anos pulando e cantando, eu sabia que não podia ficar parada."

Essa frase, pronunciada por muitas pessoas na saída do show de Paul McCartney no último domingo, dia 07, resumia bem o espírito da noite. Esbanjando carisma, profissionalismo e, acima de tudo o conhecido humor britânico, o ex-beatle encantou 52 mil pessoas em 3 horas de show, recheadas de clássicos dos Beatles, da sua banda Wings e de sua carreira solo.



Mas isso, claro, você confere em qualquer DVD da carreira solo de Paul, como no ótimo "Good Evening New York City", que cobre três noites da sua turnê de 2009 no então recém-inaugurado estádio Citi Field, em Nova Iorque. O que difere cada show de Paul é o preparo especial que ele tem ao conhecer cada cidade em que vai tocar. No seu DVD "Live In Quebec", de 2008, Paul deixa bem claro no início da apresentação que vai tentar falar em francês, mas que talvez se enrole (momentos em que é apoiado pelo telão, que legenda em tempo real o que fala). Em Porto Alegre, a intimidade com a língua local foi testada mais uma vez.

"- Eu vou tentar falar em português. Mas vou falar mais em inglês. Ok, now you know..."

E se, entre as canções, Paul testava seu português macarrônico em frases como "trilegal" e "ah, eu sou gaúcho", as músicas não deixavam a desejar. Depois do início com "Venus And Mars / Rock Show / Jet", as três dos Wings, Paul saudou a platéia e engatou "All My Loving", primeira canção dos Beatles da noite. O Beira-Rio veio abaixo. As cenas do filme "A Hard Day's Night" ("Os Reis do Iê-Iê-Iê" no Brasil) exibidas no telão da estrutura gigantesca levaram às lágrimas gerações de fãs dos Beatles (inclusive este que vos fala). Foi o momento em que todos perceberam a importância daquele verdadeiro maestro em cima do palco. E era só a 4ª música.



E pra quem na 4ª música já estava em prantos, o repertório de quase 3h ainda reservava outros 32 números, as últimas sete dos Beatles. Aquelas músicas de 40 anos atrás fazendo sentido como nunca fizeram denotam a verdadeira importância do quarteto de Liverpool na cultura pop: universalidade. Não há quem não os conheça, não há quem não tenha visto influência deles em outras bandas, não há quem negue sua importância. E um dos principais responsáveis por essa importância (e pela manutenção do seu legado) estava lá, todo "serelepe" em cima do palco, falando em um perfeito gauchês "MAS BAH TCHÊ!". 52 mil pessoas estão com um sorriso bobo no rosto desde então.

Obrigado Sir Paul.

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